domingo, janeiro 25, 2004

Como se decifra um alfabeto antigo?

Não há uma regra geral, cada caso é um caso e dá um trabalhão danado. O primeiro passo é tentar identificar e contar os sinais e saber com que freqüência eles se repetem, diz o egiptólogo Antonio Brancaglion Júnior, da Universidade de São Paulo. Há três tipos de alfabeto: o fonético, em que cada letra representa um som, como o alfabeto da nossa língua, o silábico, em que cada letra é uma sílaba, como o chinês e o icônico ou logográfico, em que os sinais representam idéias ou coisas, como o japonês antigo. Mas, só para complicar, há alfabetos que misturam os três tipos.

Depois, trata-se de montar um quebra-cabeça. Os filólogos comparam textos na língua antiga com línguas modificadas por ela, para identificar palavras próximas. Aí, vão substituindo sinais novos pelos antigos e isolando unidades de significado.

A fala de certas línguas mortas é irrecuperável, pois não se sabe mais como soavam. Mas isso não impede a sua tradução, pelo menos em parte, como acontece com o alfabeto maia, do México.

Os hieróglifos egípcios foram um mistério até 1821, quando o francês Jean François Champollion decifrou a Pedra de Roseta, que estava no Museu Britânico, em Londres. Ela apresentava um mesmo documento escrito em duas línguas e três alfabetos: grego, egípcio demótico, (uma simplificação
dos hieróglifos) e hieróglifo. Após muitas tentativas, o arqueólogo conseguiu desvendar e escrever uma gramática da língua egípcia antiga, embora ainda existam hieróglifos indecifrados. Várias escritas ainda não foram desvendadas, como a rúnica, dos *vikings*, e a etrusca, da Itália pré-romana.